Violência contra idosos cresce em Alagoas e interior concentra quase 80% dos homicídios
Da Redação
O número de homicídios de pessoas idosas em Alagoas atingiu o maior patamar dos últimos cinco anos. Dados divulgados nesta terça-feira (9) pela Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), por meio da Comissão Especial da Pessoa Idosa, revelam que 37 idosos foram assassinados em 2025, sendo a maioria dos crimes registrada em municípios do interior do estado.

O levantamento mostra que 34 das vítimas eram homens e apenas três eram mulheres. As armas de fogo foram utilizadas em 21 dos assassinatos, enquanto outros 14 crimes foram praticados com armas brancas ou instrumentos contundentes, como facas, facões e enxadas. Também foram registrados um caso de espancamento e outro de asfixia.
A realidade mais preocupante, segundo a OAB, está fora da capital. Dos 37 homicídios contabilizados, 29 ocorreram em cidades do interior, representando quase 80% do total. Maceió lidera o ranking com oito casos, seguida por São Miguel dos Campos, com quatro, e São Sebastião, com três ocorrências.
De acordo com o presidente da Comissão Especial da Pessoa Idosa, Gilberto Irineu, a concentração dos crimes em áreas rurais evidencia a necessidade de fortalecimento das ações de segurança pública nos povoados e sítios alagoanos.
“A maior incidência ocorre justamente onde há menor presença do Estado. É preciso ampliar as políticas públicas voltadas à proteção dos idosos, especialmente nas comunidades mais afastadas”, destacou.
O relatório aponta ainda que, entre 2021 e 2025, Alagoas registrou 167 homicídios de pessoas com 60 anos ou mais. O crescimento constante dos casos acendeu um alerta entre entidades de defesa dos direitos da pessoa idosa.
Como parte das ações do Junho Violeta, campanha internacional de conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa, a OAB anunciou que irá encaminhar ofícios ao Ministério Público de Alagoas e à Secretaria de Estado da Segurança Pública solicitando acompanhamento detalhado das investigações e a elucidação dos crimes.
A entidade defende que os dados sirvam de base para a criação de políticas públicas mais eficazes, capazes de reduzir a violência e garantir maior proteção à população idosa, sobretudo àqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social.
O relatório foi apresentado durante uma coletiva de imprensa realizada na sede da OAB Alagoas, em Maceió, reunindo representantes de órgãos públicos, conselhos de direitos da pessoa idosa, instituições de longa permanência e entidades ligadas à defesa e proteção desse público.

