Pai vende filha de 5 anos para custear cirurgia e expõe drama da pobreza extrema no Afeganistão

Redação

*Com informações da BBC Brasil

 

Um caso ocorrido na província de Ghor, no Afeganistão, chamou a atenção internacional ao revelar os impactos da crise humanitária que afeta milhões de pessoas no país. Sem condições de pagar uma cirurgia urgente para a filha de apenas 5 anos, o afegão Saeed Ahmad decidiu firmar um acordo familiar que prevê a entrega da menina no futuro em troca do custeio do tratamento médico.

Foto: Reprodução

A criança, identificada como Shaiqa, sofria de apendicite e de um cisto no fígado e precisava passar por uma operação com urgência. Sem recursos financeiros para arcar com os custos, o pai aceitou receber 200 mil afeganes, cerca de R$ 17 mil, de um parente para garantir que a filha tivesse acesso ao procedimento.

Segundo relatos divulgados pela BBC, a cirurgia foi realizada com sucesso. No entanto, o acordo estabelece que, dentro de cinco anos, a menina deverá deixar a família para se casar com um dos filhos do homem que financiou o tratamento.

Saeed afirmou que tentou evitar a separação imediata da filha ao aceitar apenas parte do valor inicialmente. De acordo com ele, caso tivesse recebido toda a quantia de uma só vez, a criança teria sido levada naquele momento.
“Se eu tivesse dinheiro, jamais teria tomado essa decisão”, declarou o pai, acrescentando que temia perder a filha caso não conseguisse pagar a cirurgia.

O episódio evidencia a grave situação econômica enfrentada por milhares de famílias afegãs. Na província de Ghor, uma das mais pobres do país, o desemprego é elevado e muitos moradores dependem de trabalhos temporários para garantir a alimentação diária.

A crise se agravou após a retomada do poder pelo Talibã, em 2021. Desde então, o Afeganistão enfrenta isolamento econômico, redução de investimentos e cortes significativos na ajuda humanitária internacional.

Dados citados por organismos internacionais apontam que cerca de três em cada quatro afegãos não conseguem suprir necessidades básicas como alimentação, moradia e acesso à saúde.

A redução dos recursos destinados ao país também contribuiu para o agravamento da situação. Em 2026, a ajuda humanitária internacional destinada ao Afeganistão sofreu uma queda de aproximadamente 70% em comparação ao ano anterior, afetando diretamente programas de alimentação, assistência médica e proteção social.

Organizações humanitárias alertam que, em meio à fome e à falta de oportunidades, práticas como o casamento infantil e acordos envolvendo meninas continuam sendo uma realidade em algumas regiões..

Crianças do sexo feminino estão entre as mais vulneráveis, especialmente diante da ausência de proteção institucional e das restrições impostas à educação de meninas.

Embora Shaiqa permaneça atualmente com os pais, o futuro da criança segue marcado pelo compromisso assumido para salvar sua vida. O caso tornou-se símbolo do dilema enfrentado por famílias que precisam escolher entre a sobrevivência imediata e o destino de seus próprios filhos.

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