PF revela como família investigada montou rede logística para levar cocaína de estado a estado

Da Redação

A Polícia Federal aponta que a organização criminosa comandada por Mario Sergio Nunes, conhecido como “Serjão do PCC”, funcionava com modelo empresarial para transportar cocaína entre diferentes regiões do país. De acordo com a operação “Mens Occulta”, o grupo montou estrutura logística que incluía frota de caminhões, empresas de transporte, motoristas recrutados, contas bancárias de terceiros e companhias de fachada.

Foto: Reprodução

A investigação identificou que os veículos usados para levar a droga circulavam registrados em nome de terceiros. Muitos dos caminhões e semirreboques apreendidos estavam em nome de motoristas, empresas ou pessoas sem renda compatível com a aquisição dos bens. Para a PF, o registro em nome de laranjas servia para esconder o patrimônio do grupo.

Transportadoras também foram usadas para dar aparência de legalidade às remessas. Empresas do setor apareciam como proprietárias dos veículos envolvidos nas apreensões, mas apresentavam sinais de funcionamento irregular. Segundo a PF, não tinham funcionários registrados e movimentavam valores incompatíveis com a atividade declarada.

Os motoristas recrutados pelo grupo tinham papel central na operação. Em diversas apreensões feitas ao longo de um ano, a polícia encontrou cargas de 312 kg, 125 kg, 126 kg, 425 kg, 423 kg e 368 kg de cocaína, além de 144 tabletes. Em vários casos, a droga estava escondida em compartimentos falsos nas cabines dos caminhões ou dentro de pneus sobressalentes, padrão que se repetiu nas investigações.

A movimentação financeira também passava por familiares e pessoas próximas ao líder. Contas bancárias de terceiros eram usadas para circular recursos do tráfico, enquanto empresas registradas em nome de parentes e aliados ajudavam a ocultar bens. A PF citou como exemplo uma transferência de R$ 120 mil feita por Mario Sergio Nunes para uma empresa apontada como possível fachada.

As cargas tinham origem em estados estratégicos para o narcotráfico, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. O destino principal era Minas Gerais, com Uberlândia atuando como centro de distribuição. A cidade recebia, armazenava e redistribuía a cocaína para municípios do Triângulo Mineiro e outras unidades da federação.

Apesar de nove grandes apreensões em um ano, a PF afirma que o volume de mais de 2 toneladas de cocaína apreendidas representa apenas parte do que o grupo movimentou. Além da droga, a polícia já confiscou veículos importados, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais, um motorhome avaliado em R$ 1,2 milhão e um cavalo de competição.

Mario Sergio Nunes e a filha Brenda foram presos em um hotel em Uberaba. Segundo o delegado Felipe Martins Perez Garcia, Brenda, que é advogada, atuava como braço direito do pai dentro da estrutura criminosa. A esposa Maria Lourdetis e a outra filha, Bruna, também são investigadas por auxiliar na movimentação de recursos e ocultação de patrimônio. O ex-genro Rhanniery Nunes Graciano é apontado como laranja para esconder bens.

A PF apura movimentações financeiras de cerca de R$ 70 milhões sem origem compatível nos últimos cinco anos. O grupo é investigado por tráfico internacional de cocaína, trazida do Paraguai pelo Mato Grosso do Sul, e por lavagem de dinheiro.

O advogado da família, José Carlos de Oliveira Campos, disse em nota que ainda não teve acesso completo ao processo, que corre sob sigilo, e que a família confia nas instituições e está à disposição para prestar esclarecimentos. O defensor de Rhanniery, Sérgio Luiz da Silva, afirmou que acompanha o caso, mas não comentará detalhes no momento.

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