Jornalista petista revela que Lula sabia tudo sobre novo tarifaço e joga Brasil no buraco para desgastar imagem de Flávio Bolsonaro
Da Redação
A colunista Daniela Lima, do UOL, revelou detalhes da reação do governo Lula à ameaça de tarifa de 25% do governo Donald Trump contra produtos brasileiros. Segundo a jornalista, o presidente foi informado imediatamente sobre o sinal dado pela equipe norte-americana e determinou que sua equipe se preparasse para o enfrentamento.

Técnicos do Brasil e dos Estados Unidos se reuniram na última quinta-feira, 28, para negociar a retirada das taxas impostas por Trump na primeira etapa do tarifaço. Durante o encontro, o lado brasileiro pediu que os dados entregues fossem analisados com cautela, alegando que a negociação ocorria “de boa fé e com transparência”. Foi nesse momento que a delegação de Trump indicou ter prazo para dar publicidade às conclusões de um estudo usado para justificar a nova sobretaxa. A divulgação dos números não significaria aplicação automática de sanções, mas a percepção de risco fez o Planalto acionar seu plano de reação.
O relato da reunião foi levado a Lula, que deu ordem para que sua equipe traçasse as linhas da resposta oficial à nova ameaça contra a economia nacional. Interlocutores do governo afirmam que a indicação do presidente foi de “ir para cima”, citando a movimentação recente do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio e pré-candidato à Presidência, que esteve com Trump dias antes do sinal americano.
No Planalto, a avaliação é de que a intimidação de Washington tem fundo político. Mesmo com esforços da oposição para dissociar Flávio da nova ofensiva, há na leitura do governo um “pecado original” que dificulta a missão: a atuação amplamente divulgada do deputado Eduardo Bolsonaro, no ano passado, em defesa de sanções dos norte-americanos contra o Brasil como resposta ao julgamento e à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado.
Conforme a colunista Daniela Lima, o governo definiu duas frentes de atuação. Primeiro, não vai agir para reverter a declaração norte-americana que classifica Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, mas vai expor os riscos dessa definição ao país e ao sistema financeiro. Segundo, na questão do tarifaço, a orientação é “jogar no colo dos Bolsonaro”.
A administração Trump tem até 15 de julho para decidir se aplicará a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com base em relatório que aponta o Pix e políticas ambientais do Brasil, entre outros pontos, como entraves à economia dos Estados Unidos. Até lá, a estratégia do Planalto é, nas palavras de fonte do Planalto ouvida por Daniela Lima, “desgastar os que passaram meses a fio pedindo sanções ao país”.

