Polícia Federal abre investigação contra Virgínia Fonseca por movimentação financeira de empresas
A influenciadora Virgínia Fonseca passou a ser alvo de investigação formal da Polícia Federal. O apuro envolve movimentações financeiras de empresas ligadas à influenciadora, segundo informação publicada pela revista Piauí.
Virgínia havia prestado depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito das Apostas Esportivas em 2025 e saiu sem indiciamento após o relatório final da CPI ser rejeitado. Mesmo assim, os Relatórios de Inteligência Financeira elaborados pelo Coaf e anexados à comissão chamaram a atenção de agentes da PF, que aprofundaram a análise dos dados.
Um dos focos da investigação é a Talismã Digital, empresa mantida por Virgínia e pelo ex-marido Zé Felipe. Entre março e setembro de 2024, a companhia recebeu R$ 22,4 milhões. A AMP Pay Marketing e Negócios aparece como uma das principais depositantes, com R$ 17,7 milhões enviados em cinco transferências via Pix, conforme documentos obtidos pela reportagem. O volume gerou alerta no Santander.
A AMP Pay é registrada no Simples Nacional, regime destinado a empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, e tem endereço informado em um box comercial no Centro de Itajaí, Santa Catarina.
Outro alvo é a WPink, braço de suplementos nutricionais da influenciadora, também proprietária da marca Wepink. O Mercado Pago comunicou ao Coaf, em 2025, operações entre 2 de janeiro e 13 de março daquele ano. Nesse período, os créditos na conta somaram R$ 44,6 milhões e os débitos R$ 43,5 milhões, movimentações classificadas como atípicas.
A Wepink também foi sinalizada pelo Banco Itaú. A instituição informou 190 transações, totalizando R$ 502 mil, realizadas entre 21 de novembro de 2023 e 21 de maio de 2024, por meio de depósitos em caixas de diferentes agências. O Itaú considera o faturamento anual declarado da empresa ao Banco Central em R$ 75 milhões. O banco apontou que, embora depósito em espécie seja comum no setor, a forma fragmentada como ocorreram chamou atenção.
A defesa de Virgínia afirmou à revista que a empresa usa de forma esporádica a antecipação de recebíveis de cartão de crédito, prática lícita e comum no mercado. O advogado Felipe dos Santos de Paula disse que todas as operações foram declaradas aos órgãos fiscais competentes.

Sobre os depósitos em espécie em várias unidades, a equipe da influenciadora explicou que os valores correspondem a receitas diárias de vendas nos quiosques da empresa, o que justificaria a multiplicidade de depósitos.

