R$ 5,1 milhões em cachês: valor gasto com artistas na Virada Cultural de SP gera críticas nas redes
A divulgação dos cachês pagos a artistas na Virada Cultural de São Paulo gerou críticas sobre as prioridades do dinheiro público. A soma dos valores de 20 atrações chega a R$ 5.115.500,00, e tem gerado críticas de parte da população que questiona o alto custo do evento frente às demandas em áreas como saúde e educação.
Segundo a lista que circula nas redes, os maiores cachês ficam com nomes do pagode e do pop. Péricles lidera com R$ 700 mil, seguido por Thiaguinho, com R$ 638 mil, e Luísa Sonza, com R$ 636 mil. Seu Jorge, R$ 522 mil e Alexandre Pires, R$ 450 mil, completam o top 5. No outro extremo, o rapper Jotapê recebeu R$ 21,5 mil.
A soma total dos 20 artistas listados atinge R$ 5,1 milhões. Só os três primeiros da lista, Péricles, Thiaguinho e Luísa Sonza, custaram R$ 1,974 milhão aos cofres públicos.
Nas redes sociais, internautas apontam que o valor poderia ser revertido para outras áreas. “Com R$ 5 milhões dá pra reformar quantos postos de saúde? Comprar quantas ambulâncias? É um absurdo gastar isso em show de 1 hora”, comentou uma usuária no X.
A comparação com a saúde pública tem sido o principal argumento. Entidades ligadas ao setor lembram que o custo médio de uma UTI completa gira em torno de R$ 300 mil. Com o valor total dos cachês, seria possível montar 17 novas UTIs. Já o preço de uma ambulância básica parte de R$ 250 mil: o cachê de Péricles equivale a quase três veículos.
Defensores do evento argumentam que a Virada Cultural movimenta a economia, gera empregos temporários e democratiza o acesso à cultura. Só em 2025, a programação teve 24h de atrações gratuitas espalhadas por todas as regiões da cidade.
A Secretaria Municipal de Cultura afirma que o investimento retorna em turismo, renda para comércio local e ocupação de espaços públicos. “Cultura também é um direito e um vetor de desenvolvimento econômico”, diz nota oficial.
Pagode em alta
Um recorte dos valores mostra a força do pagode no mercado de shows públicos. Dos cinco maiores cachês, quatro são do gênero: Péricles, Thiaguinho, Seu Jorge e Alexandre Pires. Juntos, eles somam R$ 2,31 milhões, ou 45% do total gasto com os 20 artistas da lista.
O evento, criado em 2005, se consolidou como um dos maiores festivais gratuitos do país. A polêmica sobre custos, no entanto, se repete a cada edição, opondo quem defende cultura como investimento e quem cobra prioridade para serviços básicos.
Confira os cachês:
Péricles R$ 700.000
Thiaguinho R$ 638.000
Luísa Sonza R$ 636.000
Seu Jorge R$ 522.000
Alexandre Pires R$ 450.000
Gustavo Mioto R$ 400.000
MC Hariel R$ 240.000
Gaby Amarantos R$ 220.000
Marina Sena R$ 210.000
Banda Djavú R$ 190.000
Munhoz e Mariano R$ 180.000
Vitor Kley R$ 145.000
Latino R$ 143.000
Wanessa Camargo R$ 140.000
Duquesa R$ 80.000
Dexter R$ 65.000
MC Luanna R$ 45.000
Tasha e Tracie R$ 45.000
MV Bill R$ 45.000
Jotapê R$ 21.500


