“Elas querem família, querem pertencer”: Dia da Adoção expõe abismo entre crianças disponíveis e perfil buscado

Celebrado neste 25 de maio, o Dia Nacional da Adoção joga luz sobre um desencontro que marca o sistema brasileiro: a maioria das crianças aptas para adoção tem mais de 10 anos, mas grande parte dos pretendentes ainda busca bebês ou crianças pequenas. A data, criada por lei em 2002, busca quebrar mitos e incentivar a adoção tardia.

Foto: Reprodução

Para a juíza da 1ª Vara da Infância e da Juventude do DF, Rejane Suxberger, a resistência à adoção de crianças mais velhas é baseada em ideias falsas. “Um dos mitos é que a criança mais velha já tem o caráter formado e não se adapta, e isso é falso. As crianças em acolhimento são resilientes, elas querem família, querem pertencer”, afirma.

Outro ponto destacado pela magistrada é a ilusão de começar “do zero” apenas com bebês. “A história da criança já existe antes da adoção, seja qual for a idade. O que muda é o capítulo que você escreve junto com essas crianças”, completa Suxberger.

Acolhimento temporário como ponte

Enquanto aguardam uma família definitiva, crianças e adolescentes podem ser recebidos pelo programa Família Acolhedora. A iniciativa cadastra e capacita famílias da comunidade para o acolhimento temporário.

Soraya Pereira, psicóloga e presidente da organização Aconchego, explica o processo: “A gente seleciona as famílias da comunidade, faz uma capacitação e essa criança fica com essa família por um tempo até que o processo seja resolvido. Ou ela volta para a família de origem, para a família extensa, ou vai para adoção”.

O programa funciona como alternativa às instituições de acolhimento, garantindo cuidado individualizado e a manutenção de vínculos comunitários durante a definição judicial da situação da criança.

Quem pode adotar?

O caminho para a adoção está aberto a qualquer adulto com mais de 18 anos, independentemente do estado civil. Os interessados devem procurar a Vara da Infância e Juventude da sua cidade ou acessar o Portal do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento na internet.

Especialistas reforçam que, seja pela adoção ou pelo acolhimento temporário, a construção de vínculos transforma histórias marcadas pela ausência em trajetórias de cuidado, proteção e pertencimento.

Para se candidatar à adoção: Vara da Infância e Juventude do seu município ou Portal do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento. É necessário ter mais de 18 anos, independente de estado civil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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