Lessa perde espaço após avanço de aliança entre JHC, Lira e Luciano Barbosa

Na política, há anúncios que soam como ponto de chegada. Mas, em Alagoas, quase sempre são apenas o começo da negociação.

Quando Ronaldo Lessa decidiu antecipar apoio ao prefeito JHC, em abril, o gesto parecia estratégico. O vice-governador apostava que a construção da oposição já tinha um rumo definido e que seu grupo ocuparia espaço relevante na futura composição majoritária. Nos bastidores, falava-se em duas possibilidades: Senado ou vice-governadoria.

Poucas semanas depois, porém, o cenário mudou.

A política alagoana voltou a girar em torno de uma engrenagem conhecida: a força dos acordos regionais. E, nesse novo desenho, Arapiraca passou a ocupar posição central.

As conversas entre JHC, Arthur Lira e Alfredo Gaspar de Mendonça avançaram para além da fotografia política. O entendimento começou a ganhar contornos eleitorais mais concretos, incluindo a possibilidade de entregar a vaga de vice ao grupo do prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa.

Nesse ambiente, o nome da ex-prefeita Célia Rocha passou a circular com força nos bastidores. Filiada recentemente ao PSDB, ela simbolizaria a entrada definitiva do agreste na composição oposicionista.

O movimento tem lógica eleitoral. Arapiraca representa densidade política, capilaridade no interior e um elo importante na aproximação entre Luciano Barbosa e Arthur Lira. Para a oposição, a conta parece simples: fortalecer a chapa onde o peso eleitoral é maior.

Mas toda soma política também produz perdas.

E a principal delas, neste momento, pode ser justamente Ronaldo Lessa.

Desde que oficializou aliança com JHC, o vice-governador reduziu sua presença no debate estadual. Passou a atuar mais discretamente entre agendas do PDT e espaços ligados à Secretaria de Educação de Maceió, comandada por João Folha, aliado de seu grupo político. Enquanto isso, o centro das negociações migrou para outro eixo, deixando Lessa cada vez mais distante das decisões principais.

Nos corredores da política, cresce a percepção de que o anúncio antecipado pode ter custado caro. Ao declarar apoio antes da definição completa da chapa, Lessa acabou entrando cedo demais em um jogo que ainda estava longe de terminar.

Se a composição com Luciano Barbosa for confirmada, sobrará ao vice-governador a alternativa de disputar o Senado — cenário que dependeria, inclusive, do grau de apoio que receberia da própria oposição.

Em Alagoas, alianças raramente são definitivas. Mas silêncio político, muitas vezes, já diz muita coisa.

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