Quase um ano após execução brutal em São Paulo, corpo de alagoano morto por PM’s segue no IML

A dor da família do alagoano Jeferson de Souza parece não ter fim. Quase um ano após o jovem de 24 anos ser executado com tiros de fuzil durante uma abordagem policial em São Paulo, os parentes ainda aguardam, sem qualquer prazo definido, o translado do corpo para Alagoas.

Natural de Craíbas, Jeferson foi morto no dia 13 de junho, no Viaduto 25 de Março, na capital paulista, durante uma ação da Força Tática da Polícia Militar. O caso ganhou repercussão nacional após imagens gravadas pela câmera corporal de um policial mostrarem que a versão apresentada pelos militares — de que o jovem teria reagido à abordagem — não correspondia ao que realmente aconteceu.

Mesmo após decisão judicial determinando o envio do corpo para a família, o governo de São Paulo ainda não cumpriu a determinação. O corpo permanece no Instituto Médico Legal (IML) paulista.

Nesta semana, a irmã da vítima, Micaeli Soares, entrou novamente em contato com a Defensoria Pública para cobrar providências sobre o caso. Segundo ela, o exame de DNA, apontado anteriormente como motivo da demora, já foi concluído desde dezembro de 2025.

“Agora falta apenas o estado de São Paulo efetuar o pagamento e fazer o translado do corpo do meu irmão. A família quer enterrá-lo aqui, onde ele cresceu. Nós não aceitamos que ele seja enterrado lá”, desabafou.

O custo estimado do translado gira em torno de R$ 15 mil, valor que a família não tem condições de arcar.

Jeferson havia se mudado para São Paulo em 2019 em busca de uma vida melhor. Trabalhou inicialmente em uma pizzaria, mas acabou enfrentando problemas com drogas e passou a viver em situação de rua. Órfão após perder a mãe para o câncer e o pai vítima de assassinato, ele carregava o sonho de se tornar jogador de futebol.

“O sonho dele era ser jogador. Muitas vezes dizia que queria voltar para Alagoas e sair daquela vida. Era um menino tranquilo. É uma dor que eu não desejo para ninguém”, relatou a irmã emocionada.

Os policiais militares envolvidos no caso, Alan Wallace e Danilo Gehring, foram presos pela própria corporação em julho do ano passado e encaminhados ao Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo.

Alan foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio doloso duplamente qualificado — por motivo torpe e sem chance de defesa da vítima. Já Danilo responderá por participação no crime.

As imagens da ocorrência mostram Jeferson sendo atingido por disparos de fuzil na cabeça, tórax e braço, em uma execução que chocou o país e segue marcada pela revolta da família, que agora luta para conseguir apenas uma despedida digna.

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