Quase 12 anos depois, PMs são condenados por morte de adolescente desaparecido no Benedito Bentes, em Maceió
Quase 12 anos após o desaparecimento de Davi Silva, 17 anos, o Tribunal do Júri de Maceió condenou os quatro policiais militares acusados de sequestrar, torturar, matar e ocultar o corpo do adolescente. A abordagem aconteceu em 2014, no bairro Benedito Bentes.
Davi estava com o amigo Raniel Victor Oliveira da Silva quando foi parado por uma guarnição formada por três homens e uma mulher. Raniel foi liberado. Davi nunca mais foi visto. O corpo não foi encontrado até hoje.
Foram condenados os PMs Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e a ex-militar Nayara Silva de Andrade. Eles respondiam ao processo em liberdade por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. Os réus negam o crime.
O julgamento começou na segunda-feira (4) e terminou na noite de terça (5). Essa foi a terceira vez que o júri foi marcado.
Durante o julgamento, a promotora Lídia Malta destacou a violência da abordagem. “Uma guarnição fortemente armada aborda dois adolescentes, maltrata-os e leva Davi para lugar ignorado. Um rapaz jovem, pobre, que tinha o apelido de gaguinho, era um menino bom; poderia não ter um grande futuro porque o Estado falhou. Mas era um jovem que ajudava sua mãe”, disse.
O promotor Thiago Riff defendeu a necessidade de punir desvios de conduta. “Ninguém está julgando a Polícia Militar, que faz um trabalho essencial na segurança dos alagoanos. Mas temos que levar a processo quem tem desvios de conduta e fazer com que paguem pelo que fizeram”, afirmou.
Lídia Malta criticou a versão dos policiais sobre o dia do crime. “Policiais militares afirmando que não sabiam onde era o Benedito Bentes, e se precisassem de reforço, iam dizer o quê? Policiais de uma unidade como a Radiopatrulha não saberem onde estão é, no mínimo, querer debochar da nossa ingenuidade”, declarou.
A investigação apontou que Davi foi sequestrado, torturado e morto pelos quatro militares. A sentença foi dada 11 anos após a abordagem.


