Na pequena cidade de Senador Rui Palmeira, no Sertão de Alagoas, uma série de denúncias tem colocado em xeque a prioridade da atual gestão municipal diante das necessidades básicas da população. Segundo críticos da administração, aproximadamente R$ 4 milhões foram destinados, nos últimos anos, à realização de festas e eventos públicos, incluindo cachês de bandas, cantores e estrutura de palcos — enquanto famílias de zonas rurais convivem sem água potável em suas casas.
A situação mais crítica, conforme relatos de moradores e líderes comunitários, ocorre nos povoados Cava Ouro, Serrotinho e o antigo Lixão. As comunidades estão a menos de 3 km do Canal do Sertão, mas mesmo assim os moradores precisam recorrer à chamada “indústria do carro-pipa” para obter água, pagando em média R$ 650 por abastecimento, valor considerado oneroso frente à realidade econômica local.
O vereador e professor Maikon Vieira, que exerce seu primeiro mandato, tem denunciado a situação como uma ofensa à dignidade humana, destacando desigualdades no uso dos recursos públicos e a ausência de soluções efetivas para o abastecimento de água no meio rural.
Além das críticas à alocação de recursos, a gestão municipal enfrenta também problemas jurídicos: a Justiça Eleitoral da 51ª Zona declarou a ex-prefeita Jeane Moura e o atual prefeito João Carlos Rodrigues (MDB), conhecido como “Joãozinho”, inelegíveis por oito anos, além de determinar a cassação dos mandatos dele e do vice-prefeito Allysson Feitosa. A sentença foi motivada por abuso de poder político e condutas vedadas durante o período eleitoral, como a entrega de prêmios em eventos esportivos vinculados à promoção de candidaturas, uso de ações assistenciais para autopromoção e a pintura de prédios públicos com as cores associadas à campanha do prefeito.
A decisão judicial também exige que a Câmara de Vereadores seja comunicada para que proceda com a cassação, promova novas eleições e aplique multa a ambos os gestores envolvidos no processo.
