Por Alessandra Conceição
O agente da Abin, Cristiano Ribeiro, foi recentemente demitido do serviço secreto do governo federal após uma investigação interna revelar que ele vazou informações sigilosas relacionadas à suposta atuação da agência no caso das rachadinhas envolvendo Flávio Bolsonaro.
A apuração indicou que Ribeiro fotografou a tela de seu computador na Abin e compartilhou esses dados com pessoas externas à Agência Brasileira de Inteligência. Essa ação levou a uma operação de busca e apreensão pela Polícia Federal em seus dispositivos eletrônicos. A imagem vazada continha detalhes do organograma do Centro de Inteligência Nacional da Abin, revelando informações sobre os servidores envolvidos.
O material vazado foi posteriormente utilizado em uma reportagem do site “Intercept Brasil”, publicada em dezembro de 2020. A matéria destacava a possível atuação do policial federal Marcelo Bormevet, à época lotado na Abin, em “blindar” Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas.
Curiosamente, Marcelo Bormevet, mencionado na reportagem, foi afastado de seu cargo após uma ordem de Alexandre de Moraes, que estava investigando a suposta existência de uma “Abin paralela” durante o governo Bolsonaro. A demissão de Cristiano Ribeiro ocorreu durante o governo Lula, após a conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
A Abin, ao ser questionada sobre o assunto, afirmou que Cristiano Ribeiro foi demitido por violar o Regime Jurídico dos Servidores Públicos, especificamente por “revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo” e “improbidade administrativa”.
Atualmente, a Polícia Federal investiga a possível existência de uma “Abin paralela” no governo Bolsonaro, com Alexandre de Moraes conduzindo as investigações e determinando a busca e apreensão contra Alexandre Ramagem, ex-chefe da agência e atual deputado federal. O papel de Ramagem na abertura do PAD que resultou na demissão de Ribeiro também foi destacado.

