
“Lamento muito informar que a mulher faz hoje o que ela quiser”, avisou Elza, em vídeo, antes que a baiana Larissa Luz (que viveu a cantora em musical) e Caio Prado trançassem, à capela, “Comigo” (ele) e “O meu guri” (ela). Momento de arrepio, sem intervalo para a entrada de Agnes Nunes, Majur, Gaby Amarantos e Mart’nália. Completo o time do show, ele atacou de “A carne”, música-símbolo de Elza dos anos 2000 (do verso “a carne mais barata do mercado é a carne negra”, com o adendo — “agora não é mais!).
Daí em diante, seguiram-se os solos. Gaby, por exemplo, botou jambu na versão pesada de “Volta por cima” e em “Morro” (de Dona Ivone Lara e Mauro Duarte). Mart’nália veio com a “Lata d’água” (cheia de ginga na recriação com guitarra surf music) e “Se acaso você chegasse” (aberta só por ela e o pandeirista).
Já Agnes Nunes foi de Gonzaguinha protesto, “Comportamento geral” em formato reggae e Caio Prado animou a turba com “Malandro”, de Jorge Aragão (o compositor mais ouvido no Sunset de sábado) e “Não recomendado”. A Larissa Luz coube “Dura na queda”, música de Chico Buarque que melhor define Elza Soares e “Maria de Vila Matilde”, da fase mais recente, do disco “A mulher do fim do mundo”.
Last but not least, Majur pegou bem o balanço de “Saltei de banda” e instaurou o samba com “Salve a Mocidade”. Larissa Luz voltou para “Banho”. Ao fim, o time todo se encontrou novamente no palco para uma emocionante “A mulher do fim do mundo”, com a voz de Elza inserida no encerramento: “me deixem cantar até o fim”.
Com esse repertório bastante representativo, intérpretes idem e uma banda sob medida, que conjugou musicalidades atuais e eternas, Elza não poderia ter recebido melhor homenagem
