‘Um ser humano desse não serve para ser médico’, desabafa filha de paciente que teve morte ironizada por estudante de medicina em AL
Por Redação • 10 de fevereiro de 2022 • Atualizado em 10 de fevereiro de 2022
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Lenilda Silva Nunes morreu em unidade de saúde em Marechal Deodoro, AL, e teve morte ironizada na internet por estudante de medicina — Foto: Arquivo Pessoal
A família de Lenilda Silva Nunes, a paciente que teve a morte ironizada nas redes sociais por uma estudante de medicina, informou nesta quinta-feira (9) que vai levar o caso à Justiça. “Está decidido que não vamos deixar passar em branco. O que ocorreu foi absurdo. Estou analisando os detalhes do ocorrido, para, junto com a família, decidir o que faremos judicialmente”, disse a advogada Luciana Omena.
Lenilda Silva Nunes tinha 62 anos. Aposentada por invalidez, ela morava com um filho e a nora em Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió. Na última terça-feira (8), com fortes dores no peito, Lenilda deu entrada na Unidade Mista Dr. José Carlos de Gusmão, em Marechal Deodoro, onde a estudante fazia estágio.
Aline dos Santos Moreira acompanhou a sogra na unidade de saúde. Ela detalhou o atendimento da estagiária.
“No dia 8, demos entrada na emergência aqui de Marechal Deodoro. Fizemos todo o protocolo e depois da triagem, a estudante de medicina pediu para que a gente entrasse na sala. Ela estava com muita cara de sono, calada. Eu fui logo dizendo que ela [dona Lenilda] estava com muita dor no peito. E a estudante de medicina continuou calada, não esboçou nenhuma reação. E, em seguida, acredito que ao ouvir os gritos da minha sogra, o médico abriu a porta e já foi dando as devidas providências. Pegou ela e já foi mandando ir para outra sala e pediu para eu me retirar”.
A nora de Lenilda também contou sobre a notícia da morte e como a família ficou sabendo das postagens da estudante. “Quem deu a notícia ao filho foi uma enfermeira da unidade, juntamente com o médico que a atendeu e a dita estudante. [Soubemos dos posts] pelas redes sociais”.
Ainda abalada, Aline dos Santos descreveu que a sogra era “uma pessoa muita amada, divertida e muito vaidosa”.
Lenilda Alves deixou dois filhos e três netos. Natural de Alagoas, ela morou em São Paulo, onde ficou uma filha, e residia em Marechal Deodoro há 10 anos.
Luto e indignação
Lenilda Silva com netos e filha Dayane Silva em São Paulo — Foto: Arquivo Pessoal
Filha de Lenilda, Dayane Silva mora em São Paulo e não conseguiu se despedir da mãe por conta do preço das passagens. Ela contou ao g1 que a família vive um momento de luto misturado com indignação, e que espera que a estudante não consiga se tornar médica.
“Como que um ser humano que quer ser médico zomba de um paciente, e principalmente, um paciente que chega a falecer na mão dela, da equipe que estava cuidando? Isso foi muito marcante. É muito ruim esse sentimento que a gente está. Tenho que viver luto e ao mesmo tempo sentir indignação, a falta de respeito com a minha mãe. É horrível esse sentimento. Como um ser humano pode tão ruim com o outro? Não vê o próximo com amor? Ainda mais uma pessoa que quer ser médica, que está ali para salvar vidas”, disse Dayane.
“Eu acho que a faculdade dela não deveria só suspender ela, como suspendeu. Deveria expulsar, porque um ser humano desse não serve para ser médico. Ela não teve empatia com o próximo. Vai saber se ela não fez com outras pessoas também? A gente não acredita que isso está acontecendo com a gente. É bem difícil” afirmou a filha de Lenilda.
A prefeitura de Marechal Deodoro informou que a estudante de medicina foi desligada do estágio no Município, não possuindo mais nenhum vínculo.
O Centro Universitário Cesmac informou que o Colegiado do Curso de Medicina decidiu afastar a aluna da faculdade por seis meses. Uma reunião do Conselho Universitário está marcada para esta sexta-feira (10) para definir se vai haver mais algum tipo de punição.
O Conselho Regional de Medicina vai investigar as circunstâncias em que ocorreu a morte da paciente.”Estamos apurando se havia um médico responsável no local e, como ela colocou essa mensagem no Instagram, queremos saber se o responsável sabia e se isso de alguma forma afetou o tratamento da paciente”, disse o presidente Fernando Pedrosa.