
Dependência tecnológica
Apesar de a alteração amenizar a relação tóxica que muitos usuários regulares têm com a rede social, ela não resolve o problema de dependência tecnológica. De acordo com um estudo de 2017 da Royal Society for Public Health, instituição de saúde pública britânica, o Instagram é a plataforma mais nociva à saúde mental dos jovens. De cada 10 voluntários, sete afirmaram que o aplicativo foi prejudicial a sua autoimagem. Entre as meninas, nove em cada 10 estão infelizes e pensam em mudar a própria aparência por meio de procedimentos estéticos para serem mais aceitas na plataforma. Esse problema é constatado pelo Programa de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da USP. Criado em 2006, o grupo atende pacientes para os quais o uso da tecnologia deixou de ser um prazer e passou a funcionar como uma espécie de transtorno obsessivo compulsivo, com componentes de impulsividade. De acordo com a psicóloga do programa, Dora Góes, as redes sociais apenas dão visibilidade ou agravam um problema que já existe. “As pessoas buscam ali o que falta na vida, mas nada substitui a necessidade do ser humano de ser aprovado nas suas relações pessoais. Vira uma busca sem fim”, diz ela. Na maioria dos casos de dependência tecnológica existem outras doenças associadas, como depressão e ansiedade.
A influencer Mariana Gimezes já teve problemas de autoaceitação na adolescência e chegou a desenvolver depressão e síndrome do pânico. “Foi difícil, ficava me comparando com os outros e me sentia inferior”, diz ela. Formada em arquitetura, desde 2016 trabalha como influenciadora. Com 123 mil seguidores, vive de publicidade com os posts. Para ela, a mudança recente foi feita por interesses comerciais, para incentivar o patrocínio de posts, assim como ocorreu em 2018, quando eles passaram a aparecer aos usuários não por ordem cronológica mas, sim, pela quantidade de curtidas que recebiam. À época, Mariana chegou a ficar abalada com a queda nos likes: “Achei que não estavam gostando do meu trabalho.” Mais madura e próxima dos seguidores, hoje ela lida com a questão de uma forma bem-humorada: “É raro, mas quando faço foto com poucas curtidas, brinco que estou me sentindo abandonada e peço para as pessoas curtirem”.
