
Em sua fala, na abertura do evento, ele chamou a atenção dos participantes para a situação caótica em que se encontra o principal rio nordestino. “Quando um rio, com uma riqueza de manancial como tinha o São Francisco, chega a um deflúvio de menos de 700 metros cúbicos por segundo, ele está em seu estado mortal. Para se ter uma ideia, o Rio Tocantins, com bacia semelhante, tem uma vazão média de 11 mil metros cúbicos por segundo.”, comparou, atribuindo o estágio terminal do rio a uma série de fatores, como o desmatamento ciliar, a deposição de dejetos industriais e a falta de saneamento básico, além das milhares de captações oficiais e clandestinas de água.
O prefeito afirmou que o rio apresenta sinais degenerativos nos quatro estirões situados ao longo dos seus dois mil e oitocentos quilômetros de extensão, compreendidos entre os municípios de São Roque de Minas e Medeiros, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, à foz, entre os estados de Alagoas e Sergipe.
Para o gestor, medidas paliativos não ajudarão na resolução da grave crise hídrica. Em seu entendimento, a solução poderia chegar através da construção de duas barragens. “Tenho uma tese, mas uma parte das pessoas que se dedicam à defesa do Rio é um pouco reticente a ela: é a chamada reservação de água, ou o barramento. Penso que, como estamos a falar do baixo São Francisco, uma barragem de contenção na foz e outra de regulação à altura de Porto Real do Colégio, trariam as águas do rio para o nível normal. Aí sim! Começaríamos a fazer todo um trabalho de revitalização, replantando as margens, cuidando das nascentes e dos afluentes, executando os projetos de saneamento básico em todas as cidades da Bacia do São Francisco”.
Para evitar a morte anunciada do Velho Chico, Eduardo Tavares disse que pretende criar uma frente de prefeitos de cidades ribeirinhas para tratar do problema. “Corremos o risco de morrermos de sede e no escuro”. Sobre a transposição das águas do rio, ele afirmou que esse é um problema à parte. “A ‘malsinada’ transposição é um problema em si. Ela não resolverá o problema a que se propõe a resolver. Ademais, a mega obra só serve mesmo para atender interesses escusos, sobretudo das empreiteiras, muitas delas envolvidas na Operação Lava Jato. Precisamos abrir a caixa-preta da transposição” finalizou o prefeito.
