
O adolescente morreu em 26 de fevereiro. A Justiça determinou a exumação para que o cadáver passe por novo exame necroscópico para saber se João morreu devido ao uso de drogas, como apontou o laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML), ou se a causa da morte foram as supostas agressões que ele sofreu de funcionários da lanchonete. A polícia vai realizar uma reconstituição do caso, ainda sem data definida.
Uma funcionária do IML impediu a mãe do adolescente de ver o filho. “O caixão não vai ser aberto, senhora”, disse uma mulher que acompanhava a equipe de peritos.
“Não é ele. Eu tenho certeza. Deixa eu ver se é ele. Só deixa eu ver ele”, pedia Fernanda, que foi amparada pela tia do menino. “Pera. É ele mesmo”, falava Aline Cardoso.
“Aline, você viu a blusa dele, Aline?”, perguntou Fernanda para a tia, que somente acenou com a cabeça, concordando. “É muito triste ver o caixão de meu filho ser desenterrado novamente”.
O pai de João, Marcelo Fernandes de Carvalho, também não acreditava que o corpo do filho era o que estava sendo levado para exumação. “Demora três meses para decompor um corpo, entendeu?”, disse ele sobre o fato de ter dito que viu apenas ossos quando os peritos permitiram que ele e a tia vissem o caixão. “A blusa é dele mesmo”.
Marcelo disse esperar que o novo exame “faça Justiça”. “O menino foi assassinado. Morreu depois de apanhar”, afirmou.
O médico legista Levi Miranda, contratado para atuar no caso a pedido dos advogados da família de João, criticou o laudo do IML. “Faltaram ao menos seis exames para serem feitos no cadáver”, afirmou ele, que veio do Rio de Janeiro a São Paulo para participar da exumação. “Fui eu que fiz o parecer que colocou em dúvida o laudo oficial”.
Câmeras de segurança registraram o momento em que empregados do Habib’s correram atrás de João após o garoto ameaçar atirar um pedaço de pau na loja. Eles saem do alcance da filmagem e, em seguida, as imagens já mostram os funcionários arrastando o adolescente, que parece desacordado, e o largando na calçada ao lado da lanchonete.
O laudo inicial do IML não encontrou lesões que possam ter causado a morte de João. Para o IML, João morreu de infarto após combinar o uso de lança-perfume e cocaína.
“É possível, porém, que o menino tenha morrido em decorrência de agressões”, ressalta o perito Eduardo Llanos, também contratado pelos advogados da família do adolescente. “A pergunta que se tem de fazer é: João teria morrido se fosse agredido?”, indagou o advogado Francisco Carlos da Silva.
A exumação foi feita por médicos do IML e acompanhada por parentes de João e também pela Polícia Civil. “O objetivo da exumação é se buscar a verdade real”, disse o delegado assistente Wladimir Gomes de Souza, do 28º Distrito Policial (DP), Freguesia do Ó.
Os funcionários do Habib’s, que foram afastados pela rede de fast-food, negam ter agredido o garoto. O resultado da necropsia precedida de exumação ainda não tem prazo para ficar pronta.
