
Delcídio do Amaral foi preso preventivamente em novembro de 2015, após ser gravado pelo filho de Cerveró, Bernardo, tentando oferecer dinheiro e até traçando um mirabolante plano de fuga para o ex-diretor. Em sua delação premiada, o ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado atribuiu a Lula o plano para silenciar Nestor Cerveró.
Os advogados do ex-presidente afirmam no pedido que Delcídio do Amaral fez afirmações “mentirosas e mendazes” em seu acordo de colaboração, homologado pelo relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, em fevereiro. Como indenização pelas supostas mentiras disseminadas por Delcídio, a defesa pede que o ex-senador pague 1,5 milhão de reais.
Segundo os advogados de Lula, os depoimentos de Nestor Cerveró nesta semana, negando ter recebido do ex-presidente orientações a não fazer delação premiada, comprovariam as “mentiras” nos depoimentos de Delcídio.
“O maior bem do autor [Lula], conquistado mediante trabalho árduo em longos anos de atividades públicas, é certamente sua reputação no Brasil e no mundo”, escrevem os advogados do petista, que prosseguem, afirmando que “é justamente esse bem de valor inestimável que foi gravemente atacado pelo réu, por meio de uma mentira, ao relacionar o nome do autor à suposta prática de ato criminoso relacionado ao processo de delação premiada de Nestor Cerveró”.
Em sua delação premiada, Delcídio afirma que Lula temia a prisão de seu amigo José Carlos Bumlai e, diante das delações premiadas de Cerveró e do lobista Fernando Baiano, pediu ao ex-senador que trabalhasse para impedir a delação do ex-diretor da Petrobras. “O depoente pode dizer que o pedido de Lula para auxiliar José Carlos Bumlai, no contexto de ‘segurar’ as delações de Nestor Cerveró, certamente visaria o silêncio deste último e o custeio financeiro de sua respectiva família, fato que era de interesse de Lula”.
