
O câncer de mama é o mais incidente em mulheres, representando 25% do total de casos de câncer no mundo em 2012, com aproximadamente 1,7 milhão de casos novos naquele ano. É a quinta causa de morte por câncer em geral (522.000 óbitos).
No Brasil, o câncer de mama também é o mais incidente no público feminino de todas as regiões, exceto na região Norte, onde o câncer do colo do útero ocupa a primeira posição. Para este ano, foram estimados 57.960 casos novos, que representam uma taxa de incidência de 56,2 casos por 100.000 mulheres.
A estimativa de câncer de mama esperado para Alagoas, no ano de 2014/2015, foi de 480 casos novos, sendo que 360 em Maceió. Para este ano, esperam-se 520 casos no estado e 270 só na capital. Quanto às mortes, 115 mulheres foram vitimadas em Alagoas, sendo 53 em Maceió. Os dados são da Coordenação da Saúde da Mulher, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Segundo a coordenadora, Suzângela Dória de Mendonça, apesar dos inúmeros casos da enfermidade, a rede foi otimizada, de forma a atender um maior número de mulheres vítimas da doença e de forma mais célere. Há algum tempo, a burocracia era um dos entraves para o diagnóstico em relação às mulheres acima dos 50 anos de idade.
“Na faixa etária de 50 a 69 anos, não precisa de marcação pelo Cora [Complexo Regulador da Assistência] para o exame da mamografia, por exemplo. Ou seja, vai direto com o encaminhamento da Unidade Básica de Saúde. Os locais conveniados são as Clínicas Nova Imagem, Hospital Universitário, Clínica Guri, Cenefrom, Ambulatório Rodrigo Ramalho (Santa Casa), Clinimagem e Sonograf”, explica Suzângela.
Realidade

“Passei por todos os procedimentos, inclusive, pela biópsia, que constatou o carcinoma. Naquele momento, estava recebendo meu atestado de óbito estando viva. Mesmo assim, encorajei-me e decidi lutar, fazendo as sessões de quimioterapia durante seis meses e a cirurgia de retirada da mama em São Paulo, no ano de 2014. Minha história se parece com a da atriz Angelina Jolie, porque acabei retirando a segunda mama após algum tempo, por precaução, já que o histórico na família é grande, tendo começado com minha avó”, relatou a operadora comercial.
Myrtha acrescentou que, hoje, sente-se aliviada porque as chances de desenvolver algum tipo de câncer são menores. “Sofri um pouco, mas sou uma nova mulher. Queria eu que todas as mulheres que tivessem histórico familiar ou já desenvolvido a doença agissem de imediato. Para mim, foi muito difícil no início, mas tive que enfrentar. Lamento porque tenho um exemplo em casa, minha irmã, que não faz nem os exames porque tem medo”.

Há um ano, ela estava sem um fio de cabelo na cabeça e, hoje, a situação é outra. Trata-se da vereadora por Maceió Tereza Nelma, que teve câncer nas regiões do reto, pâncreas e mama. “Posso dizer que já sou vencedora, pois passei por três tipos de câncer e estou de pé para contar a história. Sei que é triste a mutilação, mas é preciso lutar e acabar com a autodiscriminação. É melhor o aperto de dez segundos no peito do que a perda de uma vida”, comentou.
Outubro Rosa

A Rede Feminina de Combate ao Câncer em Alagoas é a entidade responsável pela campanha, que existe há oito anos no estado e ganha adeptos cada vez mais, incluindo até os homens, que também desenvolvem o câncer mamário. Para a presidente da rede, Fátima Costa, o trabalho faz cumprir leis que conferem direitos às pessoas vítimas do câncer ou que tenham a pré-disposição para desenvolver a doença, tendo em vista, por exemplo, o fator genético.
Neste ano, o tema da campanha é “Acesso já”, de forma que as mulheres tenham acesso aos exames de diagnóstico em até 30 dias e possam iniciar o tratamento em até 60 dias, além do acesso rápido ao tratamento inovador do câncer metastático.
“Hoje, temos avanços, como o aumento do número de mulheres que procuram as unidades de saúde após fazerem o autoexame; por outro lado, nosso estado ainda carece do acesso imediato a todos os recursos de amparo à mulher vítima da doença. Para isso, pressionamos todos os envolvidos na causa e alertamos a própria sociedade com o nosso trabalho diário e intenso, não somente no mês de outubro. Com mais de 130 voluntários, realizamos palestras, oficinas, entrega de panfletos e outras atividades em hospitais, maternidades, comércio, mercado, escolas e demais localidades com grande fluxo de pessoas”, explicou a presidente.
