
O estudo, conduzido pela nutricionista Flávia Corgosinho e orientado por Ana Dâmaso, docente do programa de pós-graduação em Nutrição da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), contou com a participação de 76 voluntários considerados obesos. Destes, 39 não possuíam a variação genética no gene receptor da leptina e 37 eram portadores da alteração. Durante um ano, os participantes foram submetidos a um tratamento de emagrecimento que incluiu a prática de exercícios físicos e o acompanhamento médico, nutricional e psicológico.
Após esse período, os resultados mostraram que os participantes do grupo recessivo (portadores da alteração) não conseguiram reduzir o índice de massa corporal (IMC) nem o perfil lipídico, a resistência à insulina e a produção de leptina nos mesmos níveis do grupo dominante.
“Percebemos que os adolescentes com essa variação genética tinham níveis significativa mente maiores de neuropeptídeos orexígenos (estimuladores da fome). O fator genético conseguiu justificar parcialmente por que alguns adolescentes com obesidade respondiam melhor à terapia e outros, não”, explicou Flávia Corgosinho.
Ainda em relação à produção de leptina – hormônio que desempenha um papel-chave na inibição da fome e no aumento do gasto energético dos tecidos periféricos, incluindo o adiposo – o grupo sem a variação genética conseguiu fazê-la recuar em cerca de 30%. Já o outro obteve uma redução praticamente insignificante.
“Nós sabemos que esse estado de hiperleptinemia (excesso de produção de leptina) é um dos principais fatores que dificultam a perda e a manutenção do peso corporal. O excesso de leptina é um fator pró-inflamatório que vai gerar consequências para a saúde do indivíduo, aumentando o risco cardiovascular”, esclarece a autora.
Para a pesquisadora, esses resultados indicam que é necessário buscar estratégias auxiliares para ajudar aqueles que apresentam alterações genéticas relativas à leptina a emagrecer. O aumento da frequência ou da intensidade das atividades físicas é uma possível solução. “Talvez seja necessário que esses indivíduos percam 10% ou mais do peso corporal para obter os mesmos resultados do grupo sem alteração genética”, conclui Flávia.
No futuro, a nutrigenômica – ciência que estuda a interação entre os compostos bioativos na estrutura e na expressão dos genes – pode tornar-se uma das opções de tratamento, sugere a autora.
