
A reportagem aponta que os pagamentos são depositados por meio de acordos verbais com a CBF. Os valores correspondem a diárias, iguais para todas as atletas, e uma espécie de salário, estabelecido em três categorias. Quanto mais antiga e experiente a atleta for jogando pela seleção, maior será seu salário. Jogadoras da equipe apontam que esse não era o acordo prometido, que incluia contrato formal e registro na carteira de trabalho.
As jogadoras Rosana Augusto, Andreia Suntaque e Gabi Zanotti disseram que as integrantes do time entregaram todos os documentos exigidos para a contratação à CBF, mas não obtiveram retorno. “Algumas meninas já tinham assinado com alguns clubes e muitas desistiram justamente porque queriam estar na seleção”, afirmou Rosana.
Andreia diz que foi feita uma reunião com Fabrício Maia, coordenador técnico da seleção feminina, em que foi passado o salário de cada uma, que estaria registrado na carteira de trabalho. A goleira Andreia conta que o valor – cerca de 4 mil reais – era depositado em sua conta, mas com variações mensais. Sem o contrato, elas ficaram sem a garantia de 13º salário, fundo de garantia e plano de saúde. “Cancelei meu plano de saúde na época e acabei ficando sem”, contou Gabi.
Em maio de 2015, começaram as inscrições para o programa do Ministério do Esporte que remunera atletas para fomentar o esporte, o Bolsa Atleta. As jogadoras contam que ficaram com medo de perder o benefício e renovaram sua inscrição no programa. Sem contrato até aquele momento, havia o impasse de que, caso assinassem, perderiam o benefício do Governo Federal. Dessa forma, os contratos acabaram nunca sendo assinados. O Ministério do Esporte afirma que é possível ter contrato assinado e, ainda assim, receber o Bolsa Atleta.
Marco Aurélio Cunha, coordenador de futebol feminino da CBF, foi ouvido pela reportagem. Ele diz realmente não há um contrato formalizado, que havia a dúvida de que as atletas poderiam perder o benefício do Governo Federal. O dirigente afirma que todas as despesas das jogadoras são cobertos pela CBF e que os salários são pagos. “Elas preferiram não fazero contrato profissional, preferiram receber as diárias e o que nós chamamos de ‘Bolsa CBF’, para auxílio da modalidade. E isso foi muito bem aceito”, disse. As atletas negam a versão. “Se a gente não quisesse, não iríamos entregar nossa carteira de trabalho”, declarou Andreia.
Rosana esteve nas últimas quatro Olimpíadas, Andreia foi goleira titular nas Olimpíadas de Londres e Gabi esteve na Copa do Mundo do ano passado. Elas não têm sido convocadas para a seleção brasileira e podem não ir aos Jogos.
Fonte: Cláudia
