
“O Ministério da Cultura estava claramente em um processo de esvaziamento e sendo asfixiado”, afirmou o novo titular da pasta, Mendonça Filho, ao site de VEJA. Segundo ele, há um compromisso de, diante da baixa destinação deste ano, aumentar a destinação prevista para o setor no ano que vem.
A demonstração mais evidente das tesouradas das gestões petistas na pasta está nos cortes sucessivos conduzidos pela presidente Dilma Rousseff: em 2013 o governo reservou 4,2 bilhões de reais (em valores corrigidos pela inflação) do Orçamento para o setor, mas o dinheiro para a Cultura foi diminuindo a cada ano e, em 2016, chegou ao menor patamar desde o primeiro mandato da presidente afastada: 2,4 bilhões de reais, em valores também corrigidos.
Nos treze anos dos governos Lula e Dilma, foram autorizados 26,1 bilhões de reais para o setor – o equivalente a 36 bilhões de reais em valores atualizados. No entanto, apenas 13,7 bilhões de reais, ou 19,2 bilhões nos valores atuais, foram efetivamente pagos. Ou seja, 53% do orçamento total, por algum motivo, acabou não sendo aplicado.
De acordo com o economista Gil Castello Branco, diretor da ONG Contas Abertas, há alguns fatores que justificam a diferença entre o valor previsto e o efetivamente pago, como contingenciamentos, cortes nas emendas parlamentares e a má gestão, quando há recursos, mas não projetos específicos para o investimento. “É praticamente impossível, em uma estrutura de 39 ministérios, haver uma atenção diferenciada para cada ministro. É uma ilusão achar que o status de ministério confere prestígio especial à pasta. Nós nos acostumamos com uma anomalia, que é o país ter 39 ministérios. Quando diminui para 23, isso torna-se um escândalo”, afirma o economista. Ele pondera que a redução da estrutura tem importância maior para dar racionalidade e funcionalidade à maquina pública do que para reduzir, de fato, as despesas que na maioria são obrigatórias.
Dados do Contas Abertas ainda dão um panorama mais aprofundado sobre o Ministério da Cultura: a pasta, até este mês, abrigou 922 servidores – 430 deles exercendo cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS). As remunerações com o DAS vão de 2.200 a 14.000 reais. O levantamento também traça o direcionamento das verbas do ministério até abril deste ano. Chama atenção o fato de que apenas 54% dos recursos tenham sido reservados para a atividade fim, que é o desenvolvimento da cultura. O restante dos gastos esteve relacionado, na maior parte, a questões de gestão, como a manutenção do ministério, reserva de contingência e pagamento de previdência.
Do orçamento diretamente previsto para o setor, 40% das dotações autorizadas são destinadas ao Fundo Setorial do Audiovisual – o que explica o temor de tantos diretores e artistas conhecidos de perderem o aporte. Já para a promoção e fomento à cultura brasileira, o investimento foi de apenas 9% do total empenhado.
