
O documento está sob sigilo e foi recebido pelo Supremo Tribunal Federal na segunda-feira 2. De acordo com Cerveró, parte dos recursos desviados veio da diretoria de Abastecimento da Petrobras, por meio de operações de trading internacional. A construção de um prédio destinado a transferir a área financeira da estatal para Salvador também teria funcionado como origem de recursos ilícitos direcionados para a campanha de Wagner. “Não havia nenhuma necessidade de mudança da área financeira para Salvador, sendo isso uma decisão de Sérgio Gabrielli para beneficiar a candidatura de Jaques Wagner e sua própria futura e eventual candidatura”, diz um trecho da delação.
Em seu depoimento, o delator detalhou o funcionamento do esquema explicando como se dava o escoamento da propina. “Qualquer alteração de centavos no preço de comercialização do barril leva a diferenças gigantescas na aquisição final. Aí reside uma grande margem para propinas, por se tratar de um grande volume de recursos de difícil controle”, acrescentou Cerveró. Temendo o infortúnio, nos últimos dias, Wagner iniciou uma negociação para integrar o secretariado do governador Rui Costa (PT), na Bahia, consumado o impeachment de Dilma no Senado. Com isso, caso Wagner se torne investigado na Lava Jato, ele terá como foro o Tribunal de Justiça da Bahia. Bem longe de Curitiba e Sérgio Moro.
ISTOÉ
