
Assinada pelo advogado Rubens Nunes Filho, coordenador do MBL, o pedido de impeachment do ministro do Supremo, previsto no artigo 39 da Constituição, tem como objeto a suposta prática de crime de responsabilidade e usurpação de poder atropelar um ato interna corporis ao conceder liminar obrigando o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a abrir processo de impeachment contra Temer. Nesta quarta-feira, Mello minimizou a decisão de Cunha de recorrer da decisão. “Não sou sou semideus”, disse o ministro, segundo quem o presidente da Câmara é obrigado a cumprir a determinação.
Segundo Kim Kataguiri, também coordenador do MBL, ao conceder a liminar determinando que Cunha dê prosseguimento a um pedido de impeachment do vice-presidente, o ministro Marco Aurélio Mello estaria afrontando jurisprudência do próprio Supremo, que confirmou a prerrogativa do presidente da Câmara de decidir se abre ou não os pedidos de impeachment encaminhados á Casa.
Os autores da peça alegam também que não há previsão constitucional de impeachment de vice-presidente da República.
— Do ponto de vista jurídico, a liminar do ministro Marco Aurélio é completamente descabida porque atenta contra os princípios básicos da Constituição, que prevê a separação dos poderes. É absurda! O ministro do Supremo, que deveria atuar como guardião da Constituição, se transformou em seu algoz — diz Rubens Nunes, que assina como requerente do pedido de impeachment do ministro do Supremo.
Protocolado, caberá ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidir sobre a admissibilidade do pedido. Admitido, cria-se a comissão processante para oferecer parecer sobre a conduta de Marco Aurélio Mello.
— Lógico que é uma ironia, sabemos que a liminar não tem amparo constitucional. Mas, se Renan engavetar o pedido, podemos recorrer à jurisprudência do ministro Marco Aurélio e recorrer ao Supremo pedindo que o ministro dê uma liminar para dar prosseguimento a seu próprio impeachment — disse Rubens Nunes Filho.
O ativista teve que percorrer uma via crucis para conseguir protocolar o pedido de impeachment. Ao chegar ao Senado, foi informado que pedido deveria ser protocolado no gabinete da presidência do Senado. Dirigiu-se para o gabinete de Renan, e de lá foi despachado pelos funcionários para o setor de protocolo, no anexo I. Enfrentou a fila e, quando chegou no balcão, foi novamente encaminhado à presidência da Casa. Ninguém queria receber o documento.
— É uma situação estranha que ninguém queira receber e protocolar o pedido de impeachment do ministro do Supremo. O protocolo é obrigado a receber qualquer documento encaminhado ao Senado — protestou o líder do movimento das ruas antes de, finalmente, conseguir protocolar o pedido.
O Globo
