
Em novembro, o atletismo russo foi banido preventivamente de todas as competições internacionais pela IAAF, e corre sério risco de ficar fora dos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Para que a Rússia participe das provas de atletismo no Brasil, o país precisa comprovar que está fazendo esforços significativos para acabar com o sistema de doping organizado denunciado por um relatório da Agência Mundial Antidoping.
No dia 16 de janeiro, a Federação Russa de Atletismo (Araf), elegeu um novo presidente, Dmitri Chliakhtin, que só permanecerá no cargo até setembro ou outubro, tempo necessário para tirar a entidade da crise. Chliakhtin tem encontro marcado com a comissão de inspeção da IAAF nesta segunda-feira, em Moscou. “Serão dois dias de reuniões discretas, de portões fechados”, explicou a porta-voz da Araf, Alla Gluchtchenko.
Denúncias – No início de novembro de 2015, a Wada publicou um informe de 323 páginas descrevendo uma verdadeira indústria montada em Moscou para garantir medalhas com a ajuda do doping e o envolvimento direto do governo russo. Em 2012, em Londres, os russos ficaram em segundo lugar no atletismo, superados apenas pelos americanos, e o informe descreveu a atitude de Moscou como uma “sabotagem” contra os Jogos.
Rapidamente, o governo russo reagiu, alegando que tudo não passava de um “complô” internacional contra Moscou. Vladimir Uiba, chefe da Agência Federal Biomédica, acusou a Wada de fazer parte de uma campanha do Ocidente contra seu país. “São investigações com motivos políticos que entram na mesma categoria que as sanções contra a Rússia”, disse à agência Interfax.
Em 13 de novembro, a Iaaf julgou insuficiente as respostas dadas pelos russos diante das acusações de um programa generalizado de doping e optou por suspender a Federação Russa e seus atletas de todas as competições internacionais. O presidente da Iaaf, o inglês Sebastian Coe, disse no comunicado em seu site que o episódio foi “um vergonhoso alerta” e que novos casos de “trapaça, em qualquer nível, não serão tolerados.” A decisão foi tomada em reunião extraordinária do conselho da Iaaf. Foram 22 votos a favor da suspensão, um voto contra e uma abstenção (o membro russo do conselho não teve direito a voto).
(com Estadão Conteúdo)
