
“Devido aos números registrados ontem (sábado), está claro que alcançamos o limite extremo da nossa capacidade para acomodar os solicitantes de asilo que chegam à cidade após atravessar os Balcãs, a Hungria e a Áustria”, declarou um porta-voz da polícia de Munique à agência France Presse.
Segundo números fornecidos pela polícia, apenas no sábado chegaram à estação central de Munique, a capital bávara, 12.200 solicitantes de asilo, aos quais se somaram outros 750 no começo da manhã deste domingo.
O prefeito da cidade, o social-democrata Dieter Reiter, lançou no sábado um alerta por não contar com suficientes vagas para alojar a todas as pessoas que chegam da Hungria através da Áustria.
Segundo a AFP, o Ministro dos Transportes alemão Alexander Dobrindt, denunciou neste domingo o “fracasso completo” da União Europeia no controle das fronteiras externas contra o fluxo de imigrantes, e pediu medidas “eficazes”. “São necessárias medidas eficazes para conter o fluxo” após o “fracasso completo da UE”, cuja “proteção das fronteiras externas não funciona mais”, disse em um comunicado.
Segundo Dobrindt, a Alemanha “atingiu os limites da capacidade” de acolhida e “este sinal deve ser entendido sem ambiguidade” pelos outros países europeus, acrescentou. “A Alemanha tem ajudado com a questão dos refugiados por meses e em uma largura muito maior do que todos os outros países europeus”, lamentou.
Pedido de ajuda
As organizações humanitárias que colaboram na primeira acolhida fizeram um apelo à população para que doassem sacos de dormir e colchonetes, utilizados esta noite nas estações de trem e de ônibus por alguns refugiados que não puderam ser hospedados nos albergues e edifícios preparados nos últimos dias pela prefeitura.
As autoridades locais e regionais se sentem abandonadas e nas últimas horas não cessaram de reivindicar aos demais estados federados que acolham parte dos solicitantes de asilo que chegam a Baviera, mas, por enquanto, a resposta é limitada e lenta.
A reunião do governo regional estará presidida por Horst Seehofer, líder da conservadora União Social-Cristã (CSU), partido irmão da CDU de Angela Merkel e parceiro na grande coalizão que governa a Alemanha.
No entanto, as afinidades políticas não frearam suas críticas à chanceler por ter decidido abrir as fronteiras aos refugiados sem ter previsto as consequências que isso poderia ter e sem ter desenvolvido um plano global de amparada.
Segundo as estimativas feitas na sexta-feira passada pelo ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, a Alemanha pode receber este fim de semana cerca de 40 mil solicitantes de asilo.
G1
