
Na avenida Paulista, epicentro dos protestos em São Paulo, as palavras de ordem contra Lula foram muitas. Muitos participantes levantaram cartazes e faixas com imagens dele vestido de presidiário e entoaram palavras de ordem acusando o ex-presidente de ser “chefe de quadrilha”, “bandido” e “corrupto”. O ex-presidente Lula, conforme já afirmou o Ministério Público, não é um dos investigados pela Lava Jato.
No carro de som da Aliança dos Grupos Democráticos, organização que reúne diversos grupos anti-Dilma, Lula foi chamado de “ladrão” por diversos oradores, que entoaram o mote: “O povo anseia, Lula na cadeia”. “A indignação com o ex-presidente está cada vez mais forte. O nome dele foi citado em quase todos os discursos”, diz Carla Zambelli, porta-voz da Aliança. “Nós defendemos que o Lula vá para a cadeia”, completou Marcelo Reis, líder do Revoltados On Line. Como contraponto, também em São Paulo, um grupo de militantes petistas e sindicalistas promoveu uma “vigília” em defesa de Lula em frente ao instituto que tem o nome dele, no bairro do Ipiranga, zona sul.
Em Brasília, o boneco “Lula Inflado” teve perfis criados no Twitter e no Facebook e virou “meme” na internet, com diversas fotomontagens humorísticas. Entre elas, uma na qual aparece ao lado dos “bebês-mamíferos” da Parmalat e outra entre princesas da Disney. No perfil do Twitter, “Lula Inflado” está em uma foto com o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).
Rio
No Rio, o “Fora Lula” foi tão ouvido quanto o “Fora Dilma” na manifestação na orla da Praia de Copacabana, na zona sul da cidade. O nome e a foto do ex-presidente apareceram em muitos cartazes, e seu governo foi tachado de “corrupto”, “comunista” e “inimigo do Brasil”, e acusado de ter levado o Brasil “ao buraco”.
“A gente tem que colocar tudo no mesmo bolo. Dilma é menos qualificada que o Lula em termos de palanque, de discurso, e as pessoas ainda ficam com peninha do Lula. Mas é tudo a mesma coisa. Ela deu continuação ao que o Lula começou”, afirmou Dênis Abreu, do Cariocas Direitos, referindo-se às denúncias de corrupção. O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, e o prefeito da capital, Eduardo Paes, ambos do PMDB, também foram criticados, por serem aliados da presidente Dilma Rousseff.
Um funcionário público natural de Fortaleza simpático a Lula e a Dilma foi agredido por manifestantes e precisou de escolta policial para não se proteger. Ele vestia uma camiseta vermelha e gritou “Lula 2018”, no meio do ato. O homem, que não quis se identificar, foi xingado de “ladrão” e levou tapas dos mais exaltados, que o seguiram até a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, onde PMs o colocaram em um táxi.
“Eu tenho direito de falar o que quiser: sou favorável à Dilma e ao Lula. Você acha que a elite branca que está aqui vai aceitar isso?”, disse. Um grupo de cerca de 20 pessoas deixou a manifestação e, apesar do cerco policial, continuou a xingá-lo pelas ruas.
Fonte: Estadão
