
A promotoria explica que alguns sobreviventes declararam que pagaram entre mil e 1,5 mil dinares líbios (cerca de 600 e 1000 Euros) pela viagem, enquanto outros até US$ 7 mil, e especificam que desconhecem até o momento as razões de tanta diferença.
Os sobreviventes contaram como durante sua permanência nos campos líbios, alguns até de um mês, os traficantes “batiam com bastões nos que não obedeciam” e alguns morreram pelos golpes ou pelas terríveis condições nas quais se encontravam.
Um deles relatou que “um menino foi morto aos tabefes durante o transporte desde o litoral até pesqueiro só porque tinha levantado sem permissão e seu corpo foi lançado ao mar”.
Outros asseguraram ter visto nos arredores dos campos onde foram concentradas “pessoas com uniforme e armas”, assim como a entrega de dinheiro por parte dos traficantes a gente “indicada como policiais”.
A promotoria de Catânia, na ilha italiana da Sicília, que segue o caso do naufrágio, divulgou uma lista com os nomes e nacionalidades declaradas pelos 28 sobreviventes e informou que isso servirá para esclarecer a dinâmica do naufrágio e a acusação dos dois traficantes detidos.
Os sobreviventes, assim como o resto dos imigrantes que viajavam no pesqueiro, procedem do Mali, Bangladesh, Eritréia, Somália, Senegal, Serra Leoa, Costa do Marfim e Gâmbia, e quatro deles seriam menores, segundo a lista divulgada pela Promotoria.
Com relação à reconstrução do naufrágio, os sobreviventes explicaram que sentiram três golpes provocados pelas manobras do traficante tunisiano que comandava a embarcação ao querer se aproximar da embarcação portuguesa que chegou perto para prestar socorro, “o que provocou fortes oscilações da embarcação”.
A promotoria comunicou que a maior parte dos sobreviventes reconheceu os dois detidos, o tunisiano Muhammad Ali Malek e o sírio Bikhit Mahmoud, como os traficantes que estavam no barco. Estes, segundo os testemunhos, se comunicavam através de um telefone via satélite com a organização líbia de traficantes. Os sobreviventes confirmam como a tripulação da embarcação mercante português ajudou imediatamente a socorrer os que tinham caído no mar e que “passaram muitas horas” na busca dos náufragos ou dos possíveis corpos.
Ainda hoje, a juíza decidirá com base nos testemunhos se validará a detenção preventiva dos dois acusados.

