
De acordo com o empresário, que pediu para não ser identificado, foi desviado dinheiro da Secretaria da Administração, da Saúde e da Ação Social e da Educação. Por meio de notas frias repassadas à prefeitura de Joaquim Gomes, só da empresa dele foram movimentados ilegalmente cerca de R$ 900 mil. “Contando as outras [empresas], uns R$ 3 milhões”, avalia.
Oito vereadores e um ex-secretário foram presos no dia 8 de outubro sob suspeita de participar de um esquema de corrupção para apoiar o prefeito. As prisões foram possíveis após investigação do Ministério Público do Estado de Alagoas (MP-AL), que divulgou imagens gravadas em vídeo de alguns vereadores recebendo dinheiro dentro de um carro. Em depoimento, segundo o MP, todos eles negaram que o dinheiro recebido do secretário tratava-se de propina.
As investigações apontam que notas frias foram usadas para que o então prefeito e alguns secretários fingissem que compraram um bem ou pagaram por um serviço para a cidade. Eles recebiam a nota e depositavam o valor na conta da empresa. O dono da empresa sacava o dinheiro, pegava uma comissão e dava o resto para o prefeito.
“Há desvio de tudo, né? Merenda. Se não tomar café em casa, elas [as crianças] não vão comer, não. Essa aqui é uma nota de quentinha, R$ 17.515, certo? Só que essas quentinhas seriam destinadas aos garis, só que os garis nunca comeram essas quentinhas. Tem esquema no remédio, tudo tem acordo”, admite.
O promotor que denunciou os suspeitos, Carlos Davi Lopes Correia Lima, fala que os lucros eram divididos, mas Toinho Batista ficava com a maior parte.
“Tinham duas empresas em conluio que forneciam notas fiscais ao prefeito. Ao todo, 20% do valor era distribuído entre essas duas empresas, entre os sócios das duas empresas, e 80% era repassado para o prefeito”, explica Carlos Davi.
Entenda o caso
Oito vereadores e o ex-secretário de Saúde de Joaquim Gomes, Ledson da Silva, foram presos na quarta-feira (8), sob suspeita de participar de um esquema de corrupção para apoiar o prefeito afastado de Joaquim Gomes, Toinho Batista (PSDB). Em depoimento, segundo o MP, todos eles negaram que o dinheiro recebido do secretário tratava-se de propina.
Alguns dos suspeitos e o ex-secretário aparecem em vídeos gravados sem que eles soubessem em transações dentro de um carro. Nas imagens, Silva entrega dinheiro aos vereadores, que segundo o MP seria a propina paga pelo prefeito afastado. A promotoria investiga também se a câmera foi instalada no carro utilizado pelo ex-secretário a mando do prefeito.
Fonte: G1 AL, com informações do Fantástico

