
No livro “Tudo Que Vi e Vivi” (Leya Brasil, 288 páginas) — a editora tasca um subtítulo sugestivo: “Testemunho corajoso da primeira-dama mais jovem que o Brasil já teve” —, Rosane Malta, que se tornou evangélica e leva uma vida mais espartana, foi abandonada por Fernando Collor, que se casou com uma arquiteta mais jovem e com quem tem duas filhas. O ex-rei e a ex-rainha não tiveram filhos, apesar do tratamento que fizeram — ou um deles fez. No livro, sem receito de processo ou ameaças, Rosane Collor relata os bastidores dos palácios colloridos no tempo pré, no tempo do e pós-impeachment.
Rosane Collor revela que se temia que o presidente Collor, jovem e meio intempestivo, se suicidasse. Ele sentia-se desmoralizado e destruído (voltou à política, tornou-se senador por Alagoas e é aliado do Partido dos Trabalhadores, um de seus maiores algozes). A ex-primeira-dama confirma as intrigas familiares — a família Karamacollor está à espera de um Fiódor Dostoiévski para dissecá-la (Pedro, o caçula, detonou o irmão Fernando) —, a veracidade dos rituais macabros na Casa da Dinda (da Dindamarca, para alguns) e menciona os esquemas corruptos do tesoureiro da campanha de Collor, Paulo César Farias, o PC. O destino da grana da corrupção, que muitos acreditam que teria ido em parte para o exterior, é discutido pela “historiadora” do governo Karamacollor.
Segundo a editora Leya, o livro é revelador. Rosane Malta relata que, para se recuperar de uma depressão poderosa, tornou-se evangélica e resignou-se: não ama mais Fernando Collor.
O livro já pode ser pedido no site das livrarias, como a Cultura.
Redação com Euler de França
