
No entanto, não são apenas as autoridades da capital que desafiaram as políticas do governo nesta questão, já que 55 prefeituras holandesas se somaram à iniciativa que pede a regulação do cultivo da canabbis.
O prefeito de Heerlen, Paul Depla, afirmou à Agência Efe que “55 prefeituras holandesas” apoiam a iniciativa e classificou como “fracassada” a política de drogas do governo central.
Depla defendeu a regulação do cultivo pois acredita que desta forma será possível “solucionar os problemas que existem em função dos coffeeshops”.
Para a líder do partido liberal (VVD) em Amsterdã, Marja Ruigrok, existe um vazio legal entre a forma de venda dos coffeeshops e o fato do cultivo da maconha ser ilegal, segundo afirmou para a emissora “NRC”.
A coalizão que governa a prefeitura de Amsterdam, formada por democratas, socialistas e liberais, aprovou nesta semana a regulação, com o apoio do Partido do Trabalho e da Esquerda Verde.
A lei holandesa sobre drogas, conhecida como a Lei do Ópio, é tolerante com a venda de drogas leves nos coffeeshops e a posse de produtos de cannabis em pequenas quantidades, não superiores a cinco gramas por pessoa, mas penaliza o cultivo que não for destinado a uso científico ou médico.
Na Holanda, além disso, desde 2013 vigora uma lei que limita o acesso a esses estabelecimentos aos residentes nos municípios, medida que procura combater o chamado “turismo da droga”.
Além disso, a lei obrigou os coffeeshops a se transformarem em clubes privados com um máximo de dois mil sócios, que devem comprovar que são residentes legais na Holanda.
Segundo dados do governo, 80% da cannabis produzida na Holanda se exporta.
“Quando se regula a produção de maconha, se pode criar um sistema fechado. Um sistema desde a produção até a venda e finalmente, de compra de maconha. Aí então não se necessita mais de um mercado ilegal”, disse o prefeito Depla à Efe.
Em sua opinião, os estabelecimentos de venda de maconha deveriam “comprar a substância de companhias com licença legal para produzir, e estas companhias só poderiam vender para os coffeeshops”.
Em uma linha similar, o tribunal de Groningen emitiu em outubro uma sentença favorável ao cultivo de maconha.
“Que se tolere a venda de droga branda nos coffeeshops implica que estes necessitem serem abastecidos e que se pratique o cultivo, sempre e quando se faça em favor desse abastecimento. A política não esclarece como deve ser essa provisão”, afirmou o veredicto do juiz.
“Trata-se de um assunto muito complexo de analisar porque não é apenas a lei que determina o consumo em um país”, disse à Efe Marije Wouters, pesquisadora do Instituto Bonger de criminologia da Universidade de Amsterdam e uma das autoras do estudo “Controle da Cannabis: consequências para o consumo e cultivo”.
A especialista explicou que “a história, a cultura, a economia e também as leis são aspectos determinantes”. Segundo os estudos de Wouters, “a relação entre uma política pública de drogas e o uso em um país não estão relacionados de maneira direta”.
“Os resultados que obtivemos indicam que a queda do consumo de maconha é algo generalizado desde meados dos anos 90 e ocorre em outros países também, portanto a relação direta com normas mais rígidas não é a única razão pelas quais o consumo diminuiu na Holanda”, acrescentou.
Wouters argumentou que desde 2002, com a “intensificação de medidas em relação à política do cultivo, também aumentaram as organizações criminosas”.
A especialista, no entanto, disse que não é “a favor da sentença de Groningen” e explicou que aposta por “mais por uma regulação do cultivo do que pela legalização”.
“Acho que é mais interessante regular o cultivo para obter um produto de maior qualidade e evitar o crime organizado. Ou, por exemplo, que os coffeeshops não só vendam, também informem sobre o uso e consumo de drogas”, opinou.
Fonte: EFE
