
Segundo o Ministério Público, duas semanas antes do crime, Janadaris Sfredo, dona da pousada na qual a acusada trabalhava em Marechal Deodoro, teria pedido para entrar em contato com Juarez Tenório da Silva Júnior, namorado da ré, com intuito de executar o advogado. Ainda segundo o MP, Maria Flávia apresentou os dois e eles combinaram a contratação para o assassinato.
Em sua defesa, a ré alegou que Janadaris Sfredo teria solicitado falar com seu namorado para que ele indicasse pessoas que pudessem dar um susto em um indivíduo. Ela disse não esperar que o caso terminasse em tragédia e que só ficou sabendo do crime quando já estava viajando com o namorado.
“Verifico que a tese levantada pela Defesa não restou completamente comprovada, na espécie, devendo os fatos relatados na denúncia e a versão defensiva serem devidamente apurados ao longo da instrução criminal. Registro que a análise da participação ou não da paciente no crime de homicídio pelo qual está sendo acusada, nitidamente, demanda dilação probatória, algo inviável na via estreita de habeas corpus ”, explicou o relator.
Quanto à alegação de constrangimento ilegal por excesso de prazo, o desembargador Otávio Praxedes verificou no Sistema de Automação do Judiciário (SAJ) que já foi oferecida denúncia contra a ré e mais cinco, além da audiência de instrução estar agendada para o próximo dia 4.
“Na verdade, observo que as investigações do caso em análise naturalmente demandaram uma apreciação mais complexa, por tratar-se de fato que envolve vários investigados, razão por que, a meu ver, apresenta-se justificável o período decorrido até o oferecimento da inicial acusatória”, disse o desembargador ao afirmar que não houve violação ao princípio da razoabilidade.
Entenda o caso
O homicídio foi supostamente motivado por uma desavença entre os donos da pousada e Marcos André. A inimizade, que teve início em 2010, teria sido resultado de uma disputa judicial referente à ação de despejo da Pousada Lua Cheia. Na ocasião, Marcos era o advogado dos proprietários do imóvel e Janadaris representava os interesses dos inquilinos, que perderam a causa.
Posteriormente, o casal passou a administrar a Pousada Ecos do Mar e foi morar vizinho à vítima. É relatado que o advogado tornou-se alvo de provocações e perseguições, que afetaram o seu cotidiano.
Fonte: Dicom/TJ-AL
