
“Vou lutar até o final, tendo como melhores companheiras de viagem a verdade e as minhas crenças. Tenho um projeto para o Brasil. Não quero que, daqui a quatro anos, estejamos todos lamentando mais uma escolha equivocada”, afirmou.
Com as manchetes dos jornais e a mídia eletrônica emulando até o dia da eleição o suposto pagamento de propina para políticos por contratos da Petrobras, que consta da delação de Paulo Roberto Costa, as duas primeiras colocadas nas pesquisas, a presidente Dilma Rousseff (PT) e ex-senadora Marina Silva (PSB), terão que lidar com uma agenda negativa persistente. Dilma terá o problema maior. Mas Marina poderá ver seu ex-companheiro de chapa, Eduardo Campos (PSB), que faleceu tragicamente há menos de um mês, lhe dar dor de cabeça, caso surjam acusações graves contra ele no depoimento do ex-diretor da Petrobras. Pernambuco, Estado governador por Campos, recebeu a maior obra da estatal nos últimos anos, a refinaria de Abreu e Lima. E é aí onde pode estar o problema.
É deste cenário de tanta indefinição que Aécio espera renascer na disputa eleitoral. Logo que as primeiras informações vazaram na mídia, o tucano tratou logo de gravar um vídeo no qual denominou o suposto pagamento de propina como “mensalão 2”. Mostrou assim sua intenção de jogar a bomba no colo da primeira coloca nas pesquisas e causar as mesmas dificuldades que o “primeiro mensalão” causou aos petistas no passado recente.
Em cima disto, o tucano passou a cobrar que as investigações possam ir “mais fundo” e trouxe para si a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que está investigando contratos da Petrobras. “Liderei no Congresso Nacional toda a movimentação para a instalação da CPMI. O que nós queremos é que a CPMI possa voltar a intimar o senhor Paulo Roberto para que ele diga, de forma mais clara, além dos nomes já vazados para a imprensa, como funcionava esse esquema”, afirmou Aécio.
Calibrando o discurso, o candidato disse que é preciso acabar com a impunidade no país, processando e prendendo quem tiver usado, de forma indevida, o dinheiro público. “Quem cometeu um desvio, independente de qualquer partido, tem que ser punido de forma exemplar. Se tiver alguém próximo a nós que tiver cometido desvio, que a Justiça julgue. Mas, julgado e condenado, tem que cumprir pena”, afirmou ele neste domingo, mostrando que o tema não será esquecido por sua campanha e deverá ganhar o horário eleitoral já a partir de amanhã.
O assunto “mensalão” já vinha sendo usado por Aécio em seu programa. Contra Marina. No ataque mais direto à candidata do PSB, ele lembrou, na semana passada, que ela era filiada ao PT e ministra de Estado quando explodiu o escândalo, mas mesmo assim continuou no mesmo lugar – sendo petista e ministra. Agora, o tucano irá ampliar seu ataque, mirando em Dilma, no que ele já denominou de “mensalão 2”.
Resta saber se esta ação será eficiente. O “mensalão”, com todos os seus desdobramentos midiáticos, não impediu a reeleição de Lula, nem a eleição de Dilma. É claro que um novo escândalo, como o de agora, deve mexer com o eleitorado. Mas é preciso que Aécio se prepare para ir mais além no debate. A crise ética é o trampolim. Mas ele deve estar pronto para apresentar ao eleitor um programa de governo consistente e atraente. Restam quatro semanas para o primeiro turno.
Brasil 247
