
O sentimento da mãe ainda é de apreensão. Com apenas 26 anos, a empregada doméstica Edileuza Pereira dos Santos enfrenta sozinha a recuperação de uma cesariana, a incerteza sobre o futuro da caçula e a saudade dos outros dois filhos — Luís Rodrigo, 10, e Danilo, 7 —, que ficaram em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, onde a família mora. O marido de Edileuza não pôde largar o emprego em uma fazenda para acompanhá-la no Distrito Federal. E os pais dela ficaram tomando conta dos netos.
A situação da menina é tão delicada que a vontade de ver o rostinho, conhecer os traços do nariz e da boca, identificar semelhanças físicas com um ou com outro ficou em segundo plano. “Logo depois da cirurgia, ela teve uma hemorragia. Quando eu a vi pela primeira vez, ela estava tão pálida. Me senti muito mal”, conta Edileuza. Só depois de um tempo, ela começou a reconhecer na filha as características que apareciam nas ecografias. “Nas imagens, ela tinha bochechinha grande. E ela realmente é bem bochechudinha”, comenta.
Desde o sexto mês de gestação, Edileuza sabia que a filha tinha um problema de saúde e precisaria passar por cirurgia imediatamente após o parto. Os médicos da Bahia diagnosticaram hérnia diafragmática, uma patologia em que parte do intestino sobe para o tórax. Ao chegar ao Hmib, uma semana antes do parto, os profissionais descobriram que, na verdade, o pulmão esquerdo da menina estava praticamente tomado por um tumor.
Fonte: Correio Braziliense
