
Morales disse que resolveu contar a verdade sobre sua história porque há muitos livros bons e ruins sobre sua vida e que um deles foi escrito com tergiversações e mentiras por um suposto agente da CIA (agência central de inteligência) dos Estados Unidos, a quem não identificou.
O texto está redigido em primeira pessoa com os depoimentos feitos por Morales a seu ex-porta voz e ex-ministro das Comunicações, Iván Canelas, que o ajudou a editar a obra apresentada nesta sexta-feira.
Canelas e o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, explicaram que o conteúdo do livro repassa a vida do líder desde o seu nascimento em Isallavi, comunidade de Orinoca, até sua chegada ao Palácio Quemado, a sede do governo em La Paz, no dia 22 de janeiro de 2006.
Uma das primeiras revelações da obra, de mais 400 páginas, é que Morales inicialmente deveria se chamar Evaristo, que era o nome que correspondia com seu nascimento no Almanaque Bristol, que antes era usado para batizar os recém-nascidos na Bolívia.
“Quem, naquela época, imaginaria que um menino camponês, que nasceu na pobreza, em uma região desconhecida e esquecida do altiplano boliviano, chegaria a ser presidente”, disse Canelas.
O livro relata que Morales foi o quinto dos sete filhos do casal Dionisio Morales e María Ayma.
Três dos filhos homens morreram antes do nascimento de Morales e uma das mulheres faleceu depois. Atualmente, o presidente boliviano tem dois irmãos vivos: Hugo e Esther.
Morales conta que nasceu sobre uma pele de carneiro, que viveu em uma casa sem água e energia elétrica e onde a comida era preparada em um fogão a lenha.
Também relata sua vida de pastor, suas longas caminhadas para ir até a escola e visitar outras comunidades, sua passagem por uma banda de músicos como trompetista, seu gosto pelo futebol, seu serviço militar e sua transição para se transformar em dirigente sindical na zona produtora de coca no Chapare, no centro do país, e depois em político.
Além disso, conta que aos oito anos preparava sua comida e cuidava de seu irmão menor, que aos 14 anos conheceu as roupas íntimas, que aos 15 anos conheceu a energia elétrica e aos 17 o chuveiro, a escova e o creme dental, segundo García Linera.
A obra também relata a vida dura de Morales no campo, que dormia nas colinas quando era pastor, que comia cascas de fruta e, inclusive, as namoradas que teve, disse o vice-presidente.
Morales continua solteiro, mas tem dois filhos jovens, Álvaro e Eva Liz, de diferentes mulheres.
Canelas enfatizou que a leitura do livro é indispensável “para quem quer compreender a vida de milhares de crianças e adolescentes do altiplano” e a luta de Morales pela dignidade dos bolivianos.
O livro termina com a chegada de Morales à Presidência no dia 22 de janeiro de 2006 e com o anúncio de que será escrita uma segunda parte, que contará seu período como presidente.
A Constituição boliviana permite apenas dois mandatos consecutivos, mas Morales buscará neste ano seu terceiro período, que vai até 2020, com o aval de uma decisão do Tribunal Constitucional.
Fonte: EFE
