
Fernando Henrique foi acompanhado todo o tempo pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), a quem citou como “um bom candidato” à Presidência. “Eleição depende muito do momento e da força que o candidato demonstra. O que ele tem de dizer ao país é isso: eu tenho um caminho, o caminho é esse”, disse o ex-presidente, que prosseguiu: “Eu acho que, a partir de certo momento, há uma fadiga de material. Eu sofri isso. E agora tem essa fadiga. De novo, o mesmo? O Brasil é um país novo. Precisa de aeração, de ventos novos.”
O ex-presidente disse que a permanência de um mesmo grupo no poder cria um desgaste natural, e que o PT chegou a essa etapa: “Eu não fico jogando pedra nos meus sucessores. Eles fazem o que podem, dentro de circunstâncias. Mas chegou a hora em que tem que mudar. Eu acho que agora estamos chegando numa hora de mudança”.
Real – Fernando Henrique afirmou que a implementação do Real teve momentos de tensão e criou resistências dentro do próprio governo. O então ministro da Fazenda chegou a entregar o cargo. “Eu cheguei até a pedir demissão na véspera, porque havia muita resistência de ministros que não entendiam o processo. Mas o presidente Itamar foi firme”, disse o tucano.
O ex-presidente também afirmou que a economia brasileira precisa de novos ajustes: “O Brasil está num compasso um pouco diferente do compasso do mundo. Tem que ajustar de novo. Mas vamos ser otimistas”, declarou o tucano.
Em seu discurso na tribuna do Senado, FHC – que recebeu da Casa a medalha Ulysses Guimarães – pediu uma reforma política e administrativa. “Não dá mais. Ter trinta partidos e 39 ministérios é a receita para a paralisação da administração”, afirmou.
O tucano também criticou a postura dúbia do PT sobre as privatizações – que, na gestão da presidente Dilma Rousseff, são chamadas de “concessões”. “O que eu fiz com a telefonia não foi concessão? É a mesma coisa. Por que ter medo de dizer as coisas? Por que não dizer a verdade?”, disse Fernando Henrique.
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