‘Amava a vida’, diz irmão de alemão morto após explosão em prédio

catsO irmão do alemão Markus Muller, que morreu na madrugada desta quinta-feira (28), foi no início da tarde ao Hospital Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, para liberar o corpo, que foi levado ao Instituto Médico Legal de Campo Grande. O enterro será no Rio, ainda sem data e local definidos. Markus era morador do apartamento que explodiu em São Conrado, na Zona Sul, no dia 18.

“Ele amava a vida”, disse Christopher Muller, descartando a hipótese de suicídio, que chegou a ser levantada durante as investigações – para a perícia, um vazamento de gás acidental causou o acidente.

Emocionado, ele visitou Markus nesta quarta, horas antes da morte. Ele acrescentou que o irmão era louco pelo Brasil e que a distância os impedia de ter mais contato. “É um momento muito difícil.”

Christopher foi ao hospital acompanhado pelo ex-jogador Jorginho, tetracampeão do mundo pela seleção brasileira. Ele se disse amigo do alemão, que trabalhava com agenciamento de jogadores de futebol. De acordo com Jorginho, Markus adorava lidar com as crianças em projetos sociais, principalmente na Rocinha, próximo ao prédio onde morava.

“Se falou muita coisa do Markus e ninguém perguntou aos pais dessas crianças que trabalharam com ele sobre como ele era. Era uma pessoa adorável, que sempre ajudava os outros”, disse Jorginho.

Segundo o irmão, Markus havia dito anos atrás que queria ser cremado quando morresse. Devido às investigações da explosão, no entanto, o desejo não poderá ser atendido e o alemão será sepultado às 11h do próximo sábado (30), no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, no subúrbio do Rio.

Dez dias internado

Os médicos tentaram reanimá-lo, mas não conseguiram. Markus Muller teve mais da metade do corpo queimado e estava internado no Centro de Tratamento de Queimados da unidade.

O Consulado da Alemanha no Rio de Janeiro informou ao G1 que tem acompanhado o caso envolvendo Muller desde o dia do acidente, mas não passou mais nenhuma informação por considerá-las sigilosas.

Nesta quarta (27), o diretor do Instituto de Criminalística Carlos Éboli Sérgio William informou que a explosão foi causada por um acidente em uma instalação de gás da cozinha. O problema teria acontecido na peça conhecida como rabicho — cano de ferro que faz a ligação da tubulação de gás que fica na parede do prédio com o aparelho.

Segundo médicos do primeiro hospital para onde foi levado, o Miguel Couto, no Leblon, Markus disse que foi torturado por um assaltante e que esse criminoso teria feito ameaças de explodir o apartamento. O diretor da unidade afirmou que Markus estava agitado e repetia a mesma história.

Médicos constataram cortes no corpo do alemão e concluíram que eles foram provocados por um objeto cortante, como facas. As câmeras de vigilância do Edifício Canoas, entretanto, só mostraram Markus chegando sozinho ao seu imóvel na noite antes da explosão.

Perícia no apartamento

Segundo os peritos do ICCE, o que aconteceu no prédio de São Conrado foi um acidente provocado pela a má instalação no rabicho de gás. “Se comprova pelo aspecto da fita que não houve uma fixação até o final. Isso foi impedido tecnicamente pelo alongamento que existe entre a instalação e a parede para poder o rabicho ficar perfeitamente fixado e atarraxado”, afirmou William.

O diretor Sérgio William disse ainda que uma sobreposição nos azulejos das paredes pode ter contribuído para a má instalação do aparelho de gás.

“O que a gente conseguiu verificar, por

que o setor de criminalística esteve no local, que em outras paredes e nesta que não existia mais, tinha azulejo sobre azulejo. Nesta confecção você consegue diminuir o espaçamento para atarraxar. A peça engana, porque ela cobre a conexão entre a parede e o rabicho”, relatou o diretor do ICCE.

William afirmou também que a peça encontrada no apartamento que faz a ligação entre o equipamento de gás é nova. “Pelo aspecto [do rabicho] e pelo selo, é uma peça nova”, contou o diretor. A investigação do acidente está sendo realizada na 15º DP (Gávea).

Feridos

A explosão aconteceu no dia 18 de maio e causou a destruição de apartamentos do Edifício Canoas, na Rua General Olímpio Mourão Filho, em São Conrado, na Zona Sul do Rio. Vários apartamentos foram danificados e quatro pessoas ficaram feridas — uma foi encaminhada para o hospital Miguel Couto, no Leblon, na Zona Sul, e três foram atendidas no local pelos bombeiros.

 

Fonte: G1

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